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terça-feira, 31 de março de 2026

Circulação de impressos em queda livre também nos EUA

 
Se alguém ainda acredita na retomada dos impressos, melhor pensar em outra estratégia. A repetição de fórmulas prontas, acreditando na relevância da marca, é um fracasso.

Se no Brasil os números assustam (ninguém vende mais de 50 mil exemplares/dia, apesar de anunciarem outra realidade), nos Estados Unidos a esperança acabou. E as estatísticas explicam a realidade.

O impresso mais vendido do país é The Wall Street Journal (Nova York, NY), com 412.000 em 30 de setembro de 2025. Possivelmente já está abaixo dos 400 mil/dia. 12,9% de queda em 12 meses. The New York Times (Nova York, NY) caiu 8,6% no mesmo período e hoje vende 228.800 por dia. O levantamento do Alliance for Audited Media leva-se em conta também quem assina o PDF via internet também. Há quem tenha caído mais de 20% em um ano, como The Washington Post (Washington, DC).

Enfim, o comportamento da audiência mudou. Quem segue preocupado com o papel são os fabricantes de celulosa. Meios de comunicação sérios entenderem que o importante é não perder a conexão com a audiência. Seja por digital, por imagens ou por sinais de fumaça.


Fonte: Press Gazette

domingo, 29 de março de 2026

Big Techs faturam, cada uma, mais que toda mídia em conjunto

 

O quadro ao lado saiu na Semafor (Washington, DC).

Mostra que em 2021 o faturamento do Google ultrapassou a soma de todo dinheiro arrecadado pelos veículos de comunicação do mundo. No ano passado, a Meta também cruzou esse patamar. E a Amazon deve chegar no ano que vem.

Significa aquilo que todos já sabem - mas preferem não admitir: a verba de publicidade, que sempre sustentou a mídia, está trocando de mãos. A tecnologia abocanhou esse dinheiro, por incrível que pareça com enorme ajuda dos veículos de comunicação. Os veículos cavam, todos os dias, a própria sepultura.

Contra números não há argumentos.

Que pena!

segunda-feira, 16 de março de 2026

Grupo RBS mostra sinais de que já escolheu um lado

 

A maior empresa de comunicações da Região Sul parece não ter dúvidas sobre o lado a apoiar nas eleições de outubro.

Ontem, com diferença de poucas horas, o Grupo RBS (Porto Alegre, RS) lançou um editorial defendendo a ida do ex-presidente Jair Bolsonaro para prisão domiciliar. Pouco antes, a editora Andressa Xavier também publicou coluna pedindo a volta para casa do mais ilustre presidiário da Papudinha.

Triste jornalismo de referência do Sul. A RBS já foi mais criteriosa em suas escolhas.

A empresa esquece que existe justiça no país. Se houver dúvidas nas condições de saúde do apenado e dos laudos de seus médicos, há um corpo médico designado pelo STF para averiguar. Não é o desejo de uma empresa de mídia que vai fazer essa lógica ser quebrada.

É muito ruim saber que a RBS fecha questão com um dos lados. Critica a polarização e, ao mesmo tempo, abraça uma causa.

Os gaúchos terão meses muito duros até outubro.

PS: do ponto de vista médico, o ex-presidente não apresenta qualquer risco de morte. Seu tratamento está adequado aos sintomas, que não são graves


quinta-feira, 5 de março de 2026

O último domingo do EM

 

Essa foi a última edição dominical do Estado de Minas (Belo Horizonte, MG). Saiu no dia 01/03. A partir do próximo fim de semana, o EM - seguindo a prática de vários impressos do Brasil - adota a edição de fim de semana (sábado e domingo juntos).

É uma alternativa para reduzir custos. Impressão, distribuição e produção de conteúdos já não se pagam apenas com a venda do exemplar e a pouca publicidade. É preciso criar soluções que não prejudiquem muito o assinante. Com mais páginas (mas menos do que a soma das antigas edições de sábado mais domingo), o leitor até acha que é um bom negócio.

O Estado de Minas já reduziu formato de suas páginas há três anos. Segue, como quase todos os impressos brasileiros, em busca da sobrevivência.


PS: observação do colega sempre atento Cláudio Thomas

segunda-feira, 2 de março de 2026

Faltam critérios jornalísticos no líder de Minas

 

O impresso O Tempo (Belo Horizonte, MG) é o diário que mais vende exemplares em Minas Gerais. Até aí, méritos seus.

Mas a queda nas vendas, acentuada desde 2015, parece ter uma explicação jornalística, além de econômica: a desconexão com a realidade.

O estado de Minas Gerais passa pela maior tragédia ambiental dos últimos anos. Só em Juiz de Fora foram mais de 60 mortos. E o que aparece na capa do impresso hoje, em ordem de hierarquia?

1. Guerra no Irã

2. Manifestação da extrema-direita em SP (aliás, o governador de MG estava por lá, em vez de se preocupar com a tragédia da Zona da Mata

3. Futebol

Dessa forma vai ser difícil recuperar a circulação.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

A capa que diz tudo

 

The New Yorker (Nova York, NY).

Sempre The New Yorker.

O poder de uma capa. Para quem acha que o impresso não faz mais sentido.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Impresso segue importante, segundo WAN-Ifra


A pesquisa com 170 executivos de veículos de comunicação de 66 países, comandada pela WAN-Ifra (Associação Mundial de Jornais), resultou no excelente documento World Press Trends Outlook 2025/2026.

Entre os principais achados, a origem da receita dos veículos - em que o impresso ainda representa 43,6% do total, entre circulação e anúncios.


Verdade, era 57,7% há apenas dois anos. Mas segue relevante na cesta de produtos.