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quarta-feira, 10 de junho de 2026

Como matar uma marca

 

O Diário de S. Paulo (SP) nasceu a partir do Diário Popular (DP), o velho "Rei das Bancas".

O Globo (Rio de Janeiro, RJ) comprou o impresso paulistano no início do milênio e mudou o nome. Tentou fazer um competidor qualificado da Folha de S. Paulo (SP) e de O Estado de S. Paulo (SP). Não deu certo.

Pouco depois mudou a fórmula. Decidiu fazer do DSP um Extra (Rio de Janeiro, RJ) em terras paulistanas. Também não funcionou.

Em 2010, o falecido empresário J. Hawilla comprou o Diário e montou uma operação conjunta com a Rede Bom Dia, que operava no interior paulista. Foi o primeiro jornal brasileiro a entender que a notícia já estava na Internet - e que era preciso ir além. Deu muito certo no início, mas a resposta comercial não foi a esperada. E a pressa do empresário sepultou a ideia, transformando o DSP em um popular de baixa qualidade. Foi a primeira pá de terra no inovador Diário de S. Paulo.

Depois, foi vendido para alguns empresários de pouca reputação até cair nas mãos de Kleber Moreira, um político que tentou ser deputado estadual por São Paulo, em 2014, e conseguiu pouco mais de 4 mil votos - claro, não foi eleito.

Hoje o jornal é clandestino. Ninguém sabe onde encontrá-lo. Mas em redes sociais o Diário segue tentando fazer barulho com informações pouco confiáveis - e a serviço da extrema-direita. A manchete de hoje, sobre uma pesquisa tão confiável como uma cédula de 3 reais, é mais um triste capítulo do enterro do Diário de S. Paulo.


PS: tive o prazer de coordenar a virada do DSP em 2011, quando foi reconhecido como o impresso mais inovador do Brasil. Pena que não se deu tempo ao tempo

terça-feira, 9 de junho de 2026

Só faltou acertar a manchete

 

O mais tradicional impresso do Peru está perdido.

Domingo ocorreu o segundo turno das eleições presidenciais. Ontem foi dia de contagem de votos. A disputa está voto a voto - a diferença na hora do fechamento da edição de El Comercio (Lima, Peru) era menor que 0,1%.

Aí o jornal não quis refletir em sua capa essa certeza de um país dividido em lados iguais. E apelou para as abstenções na manchete.

Ora, as eleições já ocorreram. Quem votou, votou. Agora é preciso saber quem ganhou e como vai ser o governo no novo(a) presidente com um país tão dividido.

Errou El Comercio.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

As apostas de Nike e de Adidas para a Copa

Copa do Mundo é época de ver como grandes marcas de artigos esportivos tentam se posicionar para faturar mais algum com as torcidas. Em geral, vídeos criativos e de excelente produção.

No Mundial 2026 não é diferente. Vale var o que Nike e Adidas prepararam. Uma goleada de ideias.

 

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Lorem Ipsum na capa da Folha


A pressa, muitas vezes, deixa uma consequência indesejada.

A Folha de S. Paulo (SP) circula hoje com duas versões de capa, dependendo da região onde o assinante recebe seu exemplar.

Na primeira (esquerda), o texto de abertura "Flávio fala em..." vem acompanhado por um texto em latim, que não quer dizer absolutamente nada. O que, para os designers, chama-se Lorem Ipsum. É a maneira de marcar o espaço com o texto provisório, esperando que o editor o altere antes de liberar a página.

No segundo (direita), o texto já está corrigido.

Mas os assinantes de alguns bairros e cidades não entenderam nada do latim impresso na capa.


quarta-feira, 3 de junho de 2026

A festa das informações não confiáveis

 

Saiu na semana passada o levantamento do Poder360 (Brasília, DF) sobre assinantes dos principais veículos do Brasil. Mas a salada de informações é mais um problema do que um quadro explicativo confiável.

Por partes:

Folha de S. Paulo (SP) e O Estado de S. Paulo (SP) aparecem na liderança. Por coincidência, os dois são auditados por uma empresa contratada (PwC) e não pelo IVC (Instituto Verificador de Circulação), o único instituto aceito pelo mercado - que audita todos os demais brasileiros. Critérios diferentes, confiabilidade idem. Ou seja, aqui se compara laranjas com bananas.

A queda de 16,5% de Zero Hora (Porto Alegre, RS) é assustadora. Ou o número de 2024 era inflado, ou o produto piorou muito. Vox Populi, Vox Dei.

Extra (Rio de Janeiro, RJ) e O Popular (Goiânia, GO) estão se equilibrando sobre o nada. Quando os anunciantes descobrirem, não haverá mais saída.

O Globo (Rio de Janeiro, RJ) parece estar fazendo o trabalho mais regular e confiável. Isso é chave para o futuro sustentável. Aliás, o diário carioca foi o único brasileiro vencedor do prêmio mundial da WAN-Ifra, anunciando ontem.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

A bola fora da grande mídia, que pode custar milhares de assinantes


Conforme Mídia Mundo comentava ontem, as grandes empresas de comunicação do Brasil teriam hoje a oportunidade de mostrar de que lado estão: se pela democracia, ou se ainda flertam com o golpismo. O resultado é triste.

As manchetes de quatro dos principais impressos do país saíram praticamente idênticas: O Globo (Rio de Janeiro, RJ), Zero Hora (Porto Alegre, RS), Folha de S. Paulo (SP) e O Estado de S. Paulo (SP) atribuem o dinheiro entregue pelo criminoso banqueiro Daniel Vorcaro ao senador e candidato à presidência pela extrema-direita Flávio Bolsonaro como "verba para filme". Ou seja, nenhum quis arriscar que, talvez, os US$ 10 milhões (que seriam, na verdade, mais que o dobro) tivessem outro fim. Ficaram na defensiva, como se isso fosse "isenção factual".

Erro de leitura, que o assinante não perdoa.

O Correio Braziliense (Brasília, DF) foi um palmo mais longe e fez uma manchete que, pelo menos, coloca em dúvida a boa ação de Vorcaro. Ufa!

Nenhuma empresa de comunicação tradicional do Brasil assume que a candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro ruiu. Todos têm medo de algum fantasma. E seguem na torcida de que as revelações de ontem tenham sido uma miragem temporária.




quarta-feira, 13 de maio de 2026

Furaço do The Intercept Brasil vai definir a mídia brasileira

The Intercept Brasil (SP) quebrou qualquer planejamento dos principais meios brasileiros. A matéria que revela as relações "pouco republicanas" entre o senador da extrema-direita e candidato à presidência Flávio Bolsonaro e o banqueiro preso Daniel Vorcaro, do Banco Master, pode ter definido a eleição de outubro. Pelo menos vai escancarar a torcida dos principais meios de comunicação do país.

O filho 01 do ex-presidente - atualmente em prisão domiciliar - Jair Bolsonaro já emitiu nota reconhecendo a amizade com Vorcaro. Antes ele não falava dessa parceria, sequer admitia conhecer o banqueiro.

A denúncia é forte. Cheia de provas. O Globo (Rio de Janeiro, RJ) demorou três horas para publicar o furo do TIB. Folha de S. Paulo (SP) meia hora menos, quase o mesmo que O Estado de S. Paulo (SP).

Amanhã (quinta-feira) as capas dos impressos vão evidenciar o que pensam cada meio de comunicação. Vai ser difícil esconder as preferências.